Indo
para fora cá dentro.
A
mobilidade adquirida com esta “rodinhas” para visitar todos os recantos
num raio de 8 a 10kms é uma vantagem a considerar, mas paga-se no cu..orpo
a falta de suspensão e a dimensão das rodas mesmo ao tamanho dos
buraco no pavimento.Pedalou-se ao domingo sem a companhia dos “Bicicletandos” mas pedalou-se e equipado a rigor. Aqui fica a crónica para a posteridade.
Pedalando
na terra do caju
O nosso amigo José Paulo foi para longe mas não deixou de pedalar e até vestiu a camisola e presenteou-nos com esta mágnifica crónica.
E
de repente eis-me aqui no paralelo 11 Norte após 4 longas horas de viagem,
voando em Agosto de 2011 para destino certo mas perspetivas incertas por um
período de 6 meses em trabalho.
Todavia
apesar dos buracos consegue-se uma pedalação de nível médio
nas estradas que levam após 20Km a Prabis e a 30Km a Quinhamel, passando
por Bissauzinho pelo que antes do 1º fim de semana aqui passado já
tinha comprado a bike de sonho dos chineses com suspensão à coluna
vertebral e mandado vir o equipamento de BTT dando início aos passeios,
que geralmente se efectuam todos os sábados, com início pelas
08h45 e final às 12h00 pois o Sol não perdoa.
Dentro
da cidade o trânsito é caótico, poluidor, sem regras e sem
policiamento eficaz, sendo que no ano passado foi inaugurado o sistema de semáforos,
rotundas incluídas, coisa nunca vista.
Então
já devidamente equipado aventuras-te nas ruas cheias de perigos rodoviários,
quer carros quer buracos todos congeminando para te lançarem ao chão.
Sábado após sábado com um grupo de dois ou três amigos
portugueses, sais bicicletando com uma fúria vencedora tentando atirar
os dias para trás e preparando a nova semana.
Fora da cidade, tudo te parece lindo, inocente, cheio de esperança e
fazes facilmente vários conhecimentos.
Escreves,
anotas, tiras fotografias à fauna, aos cajus, bananeiras, pera abacate,
papaias e aos mangos e vives feliz por mais uns dias esquecendo os mosquitos
que diariamente te incomodam.
Temperaturas
diárias elevadas ou não estivéssemos na zona intertropical,
chuva deliciosa batendo no rosto e encharcando a camisola, para logo passados
15 minutos já seco, implorares por nova chuvada e foram assim vários
dos passeios que já se fizeram em circuito de alcatrão, em que
a cota máxima não vai além dos 100 metros e cujo grau de
dificuldade é reduzido.
Após
o final de Novembro já na época seca aventuramo-nos pelas picadas,
com consequências visíveis no bronzeado, na geometria das rodas,
nº de peças substituídas, diminuição do valor
da velocidade e aumento do número de furos, mas fazendo muitos amigos.
Eis
que num ápice chega Fevereiro e decides ficar mais 6 meses pelo que mais
buracos te esperam nas curvas suaves e planas dos caminhos, mas agora com um
novo visual ciclístico.
Quando
o grupo não se pode reunir e resolves ir sozinho à vizinha zona
de Antula, no extremo nordeste da cidade, em passeio mais espiritual do que
físico, face às limitações da tua bike, ouvindo
os teus músicos preferidos e embalado pela suave e quente brisa percorrendo
uma
espetacular picada ladeada de cajus e formigueiros da baga-baga esqueces que
vais na tua nova Phoenix de 80 euros mais parecendo a tua velhinha Scott que
deixaste em Portugal.
Nos caminhos as crianças chamam-te de branco pelelé não
por despeito mas por novidade e curiosidade e um formigueiro enorme percorre
todo o teu corpo, sendo que os mais pequenos nas tabancas isoladas fogem a chorar,
qual criança que viu o “papão”.
A maioria da população é pobre mas bastante simpática
e amiga de ajudar.Ah não se esqueçam que a prova Alvalade-Porto Covo é já no mês de Maio. Apesar de todas as dificuldades que saudades vou ter destes trilhos, desta vegetação, da chuva e do sorriso cálido e inocente das crianças….