A Volta dos Duros 2
7 de Fevereiro 2010
~47 Km
Difícil/Longo
Com dois estreantes nas nossas voltas lá partimos decididos a uma pedalação mais atrevida.
Primeiro bem rolante e sobretudo por alcatrão até ao Sabugo, depois uma breve mas lamacenta incursão fora de estrada na zona das vacarias que deixaram a primeiras marcas de lama nas máquinas. Retornou-se ao alcatrão para subir até Almargem do Bispo onde retomámos novamente os caminhos fora de estrada pois é para isso que aqui andamos.
Agora sim, terra debaixo das rodas. Contornámos os monte rebolo e enfiámo-nos por uns trilhos muito engraçados e de alguma dificuldade que nos levam até às pedreiras perto S. Eulália junto a Negrais. Com a equipa ainda bem fresca continuou-se caminho com alguns a dar mais à língua que ao pedal. Primeiro “volta para traz” junto à Godinheira, o trilho que tínhamos era bom, mas em sentido contrário, por isso atempadamente optou-se pelo caminho da esquerda que nos leva mais directamente ao monte Funchal. Na aproximação já se notou que uns tinham mais pernas que outros pois com o monte em frente aos olhos nem se repara que em pouco mais de 2 kms se amarinha quase 70 metros.
Estávamos no inicio da famosa subida até às ventoinhas em que com apenas 350 metros se sobem mais de 60 metros. Já não é para todos faze-la a pedalar. Mas o que é certo é que todos chegaram lá acima e para comprovar tirou-se um animado boneco de grupo.
Trincou-se o lanche, miraram-se a vistas e agora não tinha nada que saber, era mesmo para baixo. Mas cuidado que este é um dos melhores locais para dar cabo dos travões, eu já empenei um disco, e o amigo Pedro ficou com o dele com uma lindíssima cor laranja.
Chegados à base ainda se pensou em fazer o trilho que contorna o monte, mas como queríamos ir pelo Penedo Lexim apontámos antes à Mafra Gare com mais uma valente descida para animar a malta. De regresso ao alcatrão iniciou-se a subida até à Lage onde ser virou para Ramilo, mas via Cabeço do Marreiros (por sinal existe um atalho directo). Tudo calmo e conversador, com se quer, e com tempo para apreciar a paisagem lá fomos avançando a bom ritmo. Perto do Penedo Lexim saímos da estrada em direcção à Mata Grande onde nos esperava mais uma daquelas descidas de deixar qualquer BTTista de sorriso de orelha a orelha. Chegados ao fundo, claro que tivemos que contar ao resto da malta (como se eles não estivessem também lá) o como foi a descida.
Aqui grande falha minha! Estive a estudar o mapa mas não gravei o trilho no GPS, era para a esquerda (sobe-se à Mata Grande entra-se logo no primeiro trilho à esquerda) que se devia ter virado para seguir para Cheleiros, mas o trilho da esquerda era mesmo apetitoso. Lancei-me convicto (e cego) de que era logo ali que a coisa virava para Sul. Nem tomei atenção aos “olha que isso vai é para Mafra”. Não há dúvida o trilho era magnifico, mas não era este o trilho. Fui subindo, subindo, subindo com a malta no encalço até se chegar a parte final que teve que ser mesmo à mão … surpresa, estava-se na Igreja Nova (que grande porra). Não sei bem porque é que a malta não me linchou logo ali quando chegámos à Igreja Nova, acho que já estavam um bocadinho cansados para isso e certamente que eu ainda dava jeito para os guiar no caminho de regresso a casa.
…. Acontece … mas custou-nos mais uns 5 kms.
Com a hora a avançar teve que se entrar no alcatrão e descer que nem uns loucos até Cheleiros (dei 67kms) para depois subir que nem uns condenados até Rebanque.
Aqui retomou-se o caminho previsto entrando nos trilhos ao longo do IC que em ligeira mas rápida descida nos leva até Armés. Retorno ao alcatrão direitos as Fervença (não sem mais uma subida) para depois fazer a recta até Campo Raso. Mais umas pedaladelas, já um pouco penosas para alguns, e estava-se na Cavaleira onde se começou a dispersar o pelotão.
Com os estreantes ainda vivos, chegámos muito perto das 14h00 e com mais de 47Kms mas ainda com tempo para lavar as máquinas.
Para a próxima corre melhor que já tenho o trilho certo.
O trilho encontra-se no final desta página.
A Volta dos Duros 1
Mafra
para grande desilusão dos que apareceram de bóia
com ideia de pedalar Atlântico fora pensando ir até
á Madeira.
que
existe e cada um de nós, que neste caso até
eram vários, e depois de algumas teorias sobre como
reparar correntes e de uns elos que afinal não serviam
a coisa lá se compôs e a volta continuou. Ao
fundo já se via a agora formosa serra e a pergunta
naturalmente surgiu “… quê?... vamos subir
aquilo com as ventoinhas?...” e a resposta era sempre
a mesma “Pois!”. Sem mais contratempos e sempre
em animada conversa chegámos a Negrais onde o cheirinho
a leitão quase provocou as primeiras baixas que
se preparavam para ficar logo ali. Valendo-nos dos valiosos
conhecimento do amigo Jorge atravessámos Negrais
e demos com o caminho que nos levou em direcção
á serra das ventoinhas mas não sem antes mais
uma avaria (agora coisa mais séria) nos retardar
o tempo suficiente de se formar a brigada de engenharia
e resolver o problema do desviador empenado. Umas mãozadas
e uns pontapés mais tarde e a caravana estava de
volta ao caminho
para iniciar a primeira subida que nos levaria ao sopé
da serra. Agora sim aqui estava uma subida para os duros,
e confesso que só 3 dos pedalantes tiveram ar para
a fazer tratando os restantes de apear e acartar a bicicleta
monte acima. Estava vencida mais uma serra, sendo mesmo
eleita por muitos a mais difícil das subidas mas
compensado pela magnífica vista do alto desta serra.
Depois de trincar e beber tudo o que se pode apanhar ao
mesmo tempo que se enchia a vista, estava na hora da descida
mas não sem antes tirar o boneco da ordem juntos
das ventoinhas.
Inicialmente pensava-se descer por onde se subiu, mas o
apelo de um trilho tipo monte abaixo foi mais forte e seguimos
direitos a Mafra Gare por ali mesmo. Aquilo é
que
eram descidas, primeiro muito técnica, onde com muita
pedra e silvas só os mais destemidos arriscaram a
descida montados, tendo mesmo um dado um imponente mortal
sobre a bicicleta que até ficou ás voltas
á procura do GPS, depois por caminhos mais largos
mas com muita brita e um declive daqueles tipo “se
travas morres” lá chegámos ao alcatrão
para recuperar e claro trincar qualquer coisita. A ligação
até Cheleiros fez-se ao som dos vários e empolgados
relatos sobre as subidas e
descidas
de como cada um as tinha enfrentado. Desta vez em Cheleiros
atravessámos a pontezinha sobre a ribeira pelo prazer
e também para o boneco para depois mais á
frente atravessar novamente uma ponte de manilhas junto
do largo da igreja. Como alguns se estavam a queixar do
pó nada como uma ribeira para o limpar (neste caso
lavar) e desta vez sem tractor para ajudar as mais afortunadas
na sua travessia a coisa teve mesmo que ser pela água.
Alegria geral! Cada um passou como pode, uns mostrando os
seus dotes equilibristas chegaram ao outro lado de pés
secos, outros com os seus dotes aquáticos chegaram
com os pés mais molhados mas existem sempre uns que
não resistem e molhando só os pés tratam
de trazer o sapatos na mão.
Entramos
no trilho já nosso conhecido ao longo da ribeira
onde por entre pedras e mato grosso a acompanhámos
até Fervença,
onde
com mais uma subida do tipo “mata cavalos”,
saímos do vale. Atravessámos Campo Raso para
ao som de alguns “ainda falta muito?” e “amanhã
só mexo os olhinhos” atalharmos até
ao nosso ponto de partida no Algueirão.