Começou-se a acender as luzes e já no Mucifal começaram
a primeiras pingas que nem eram bem chuva e com “isto é efeito
da serra, já passa” lá fomos continuando. Com uma
breve paragem em Colares para mirar os patos à luz das lanternas
apontou-se à Praia Grande com a chuva quem não era chuva
a começar a molhar. Com um “isto na praia melhora que é
efeito da serra” pedalou-se com energia e chegou-se à praia
para constatar que afinal a serra tem mais influencia que o que parece.
O menu era o do costume e soube ao mesmo, mesmo à luz dos LED’s.
De barriga aconchegada retomou-se a pedalação por trilhos
conhecidos mas que no escuro nos baralham um bocadinho. Com o rolar começou-se
a estranhar o barulho que a bicicletas começaram a fazer e todos
olhámos para tentar saber o que de estranho se passava com as máquinas,
mas ao olhar para o chão vimos os desgraçados dos caracóis
em grande correria a tentar ingloriamente esquivar-se aos nossos rodados.
Eram aos milhões, acho que só á minha conta esborrachei
coisa para duas travessas, mal empregados.
nada,
por isso até se saiu um bocadinho mais tarde, mas
nada de grava. Uns queriam fazer Lizandro que com as chuvadas
que caíram ainda não está lá
muito ciclável e de qualquer forma tinha-se que sair
mais cedo. Por isso fez-se a já conhecida volta das
praias que iria servir muito bem para o primeiro contacto
com as pedalações nocturnas para a maioria
dos pedaladores. O caminho fez-se rápido em direcção
à Praia Grande passando por Colares e fazendo o mais
possível fora de estrada. Ao longo do caminho pode
ver-se o sol a pôr-se dando um magnífico tom
amarelo à serra de Sintra. A entrada na Praia Grande
fez-se já com o sol bem-posto mas debaixo dos olhares
curiosos perante este grupo de pedaladores iluminados. Ele
eram luzinhas por todo o lado quais arvores de natal.
Parou-se
para o boneco do grupo no local tradicional e “flashou-se”
em todas as direcções para registar o momento.
Engraçado foi o nosso amigo Rui que primeiro deixou
a mochila no local de partida, agora deixou as luvas e teve
que voltar para as
ir
buscar… deve ser da lua…
Seguiu-se
praia fora pela areia molhada para sair do outro lado escada
acima de máquinas ao ombro. Depois da salga valeram-nos
os chuveiros para ciclistas que estrategicamente se encontram
na praia (claro que foram instalados a pensar em nós)
para dar uma duchada nas máquinas antes de seguir
caminho. Aproveitou-se para tratar da bucha e para dissertar
sobre as luzinhas. Barriga
recomposta
e continuou-se ao longo da falésia até às
Azenhas do Mar. Aqui alguns já se preparavam para
ir até à Ericeira, mas já passava das
23h00 e estava na hora de iniciar o regresso. Agora sim
noite escura, que de lua nada, e as maravilhas da iluminação
a LED´s a mostrarem o que valem. Entrou-se na mata,
passou a Capela de S. Mamede (aquela redonda) onde se fez
uma
paragem
para reparar umas luzes pouco colaboradoras e continuou-se
caminho. Enquanto uns reclamavam por uma volta mais longa,
outros achavam que estava bom assim, pois esta iria ser
em distância igual a tantas outras voltas diurnas,
mas lá se foi andando e aproximando do Algueirão.
Evitando o caminho das pedras lá se deu no escuro
(à noite as referência não são
as mesmas) com um caminho alternativo direito a Alpolentim.
Agora novamente nas estradas secundárias o caminho
foi-se fazendo em animada conversa aproveitando a belíssima
noite que se pôs. Atravessou-se Campo Raso e via Cavaleira
chegou-se ao ponto de partida à 01h00 (mais coisa
menos coisa) para as despedidas dos quase 40Kms feitos.
Ainda nos encontrámos com um grupo que também
regressava de um raide nocturno mas na Serra de Sintra.
Inicialmente
sem necessidade de luz o caminho fez-se rápido e
conversador, chegando uma hora depois a Colares já
de luz acesa. Seguimos caminho para a Praia Grande onde
com o escuro que se fazia deu-se início a uma infindável
comparação de luzinhas, dissertando-se sobre
as virtudes da diversas soluções que se apresentaram.
Uma das soluções foi unânime, as novas
lanterna a LEDs, mesmo que aparentemente pouco potentes,
têm a vantagem da leveza e do consumo, que quando
em conjunto servem muito bem e é uma solução
relativamente barata. Antes de se chegar á Praia
o nosso furador de serviço tratou do furo do dia
(ou da noite neste caso). 
Com
furador a ter que fazer umas quantas paragens para bombear
mais um bocadinho de ar no seu pneu, pois a vontade de o
mudar outra vez não era muita, continuámos
caminho alumiados pelas nossas luzinhas. Foi com algum espanto
que quase todos atravessaram o caminho das pedras montados
e a um ritmo muito próximo do que temos durante o
dia certamente influenciados pela lua que agora já
perto da meia-noite se mostrava brilhante no céu.
Com estranhas variações de temperatura numa
sempre agradável noite, passava pouco da meia-noite
(~00h30) quando finalmente chegámos ao Algueirão
com quase 40Kms andados. No final da volta a experiência
mostrou-se muito agradável para todos, o que certamente
vai levar a um aumento das vendas das luzinhas e consequentemente
das nossas voltas nocturnas que com o sol que se tem sentido
certamente serão mais numerosa.