23 de Maio 2010
Sem surpresas avançámos até à estação de Meleças e embarcámos no comboio via Torres Vedras, onde encontrámos um companheiro das biclas, o Sandro Silva (Bicampeão Nacional de “Dirt Jumping”) que embora de uma disciplina diferente ficou um pouco assustado com o aparecimento de um grupo de doidos que invadiram a área de carga do comboio fazendo desaparecer a sua querida “mini-bicla”…
Com quase uma hora da dar à língua, chegados a Torres Vedras ainda procurámos um café, para dar energia a quem necessitava (era o meu caso), mas o café da estação já era…

embora mais bonitas, de pedalação impossível.
Encontrámos uma esplanada, mesmo junto à praia dos pescadores, onde com alguma confusão conseguimos comer umas bifanas e uns pregos bem regados com umas canecas (alguns, que outros mais ajuizados beberam sumo de fruta) para repor a energia para o que faltava.
Isto enquanto a Amélia e o Luis faziam o seu piquenique privado sem querer saber da confusão que os carnívoros faziam…
Primeira surpresa: no caminho apareceu uma obra, que virá a ser uma ETAR e que nos deu muito trabalho a contornar, mas nada que não se resolvesse com os habituais bitaites e muita galhofa.
Agora fica a vontade de repetir esta belíssima volta, pois de cada vez parece melhor.
O trilho encontra-se no final desta página.
22
de Junho 2008 (ver
preparativos)
abrir
os olhos lá se tratou de iniciar a pedalação
em direcção à estação
de Meleças. Tudo calmo e conservador e eis senão
quando eu trato de pisar uma bosta algures no caminho e
que agarradinha à roda da frente me acompanhou até
Torres Vedras. Eu fui logo pensando no momento em que as
forças centrífugas aliadas à lei de
Murphy libertassem a dita no momento exacto em que estaria
de boca aberta. Chegados a Meleças, toca de “cumprir
as regras acordadas” e à mão levaram-se
a biclas até ao cais de embarque. Parecíamos
mesmo uns maluquinhos que nunca tinham andado de comboio
a tirar bonecos a tudo e até se fez o primeiro boneco
de grupo ainda fresquinhos.
O comboio chegou à hora exacta e sobe a direcção
do revisor lá nos encafuamos no comboio. Éramos
19 e certamente não perturbámos os outros
5 ou 6 passageiros que também ali viajavam.
Gastámos
o rolo dos bilhetes ao revisor que viu nesse dia o seu trabalho
aumentado em quase 300%. Divididos em dois grupos, um a
cada extremo da composição lá se fez
a viagem que foi conversadora como previsto e claro que
se foram mirando os trilhos ao longo da linha.
biclas
do comboio ficando o comboio imaculado como estava (até
a bosta ainda estava agarradinha à minha roda). Como
o café tinha falhado entrou-se no primeiro que se
encontrou (novamente 300% de aumento na freguesia) para
nos encafeínar-mos (gosto mesmo de criar
palavras novas).
agarradinha
à bomba… e à minha mão que só
vi depois. Primeiro momento de alegria (já que não
me vêm cair ou sujar os pés na lama) que foi
devidamente registado. Continuando caminho foram-se vendo
as vistas e tentando seguir o “track” com uns
pequenos enganos aqui e ali mas sempre no caminho certo.
Afinal aquilo não é assim tão plano,
umas ligeiras subidas com um terreno meio mole mostraram
que ia ser um longo dia, mas as descidas que estavam depois
dissipavam de imediato esse pensamento repondo o grande
sorriso na cara. Agora não havia ponte, tinha que
ser mesmo a nado e toca de atravessar a coisa como se pode.

foi
feito com a “coordenação” de todos
os outros “ vem pelo meio,… agora, vira…
mete uma baixa…”. Chegados à outra margem,
retomou-se a pedalação. E ainda com os pés
mal secos nova travessia, agora a dificuldade não
era a água, mas sim a saída do outro lado
em areia.
Nada
a fazer, foi mesmo à mão. Mais umas pedalada
e depois de sermos ultrapassado por um grupo de furiosos
pedaladores (não iam para o Algueirão certamente)
já se estava na Foz do Sizandro para a primeira paragem,
a merecida merenda e as miradelas
habituais
às vista locais. Tirados bonecos daqui e dali, muita
conversa sobre o tempo (que maravilha para a pedalação),
e o reviver do bocado já feito mas sempre de olho
no que falta fazer. A primeira etapa já estava, agora
faltam a outras e depois da breve paragem saímos
da foz pela primeira subida digna desse nome.
Em
Cambelas abandonou-se a linha costeira (falta de trilhos)
fazendo-se a ligação por um caminho de terra
mas muito rápido até à Assenta. Com
um bocadinho de alcatrão regressou-se novamente à
linha costeira (e mais miradelas sobre o mar). Aqui, numa
descida, depois do pequeno promontório uma pedra
atravessa-se no caminho do nosso amigo Luis proporcionando-lhe
um acrobático mortal sobre a bicicleta com uma aterragem
sobre os glúteos que lhe deixaram uma negra para
o resto da semana,
mas que felizmente não o impediu de continuar a volta.
Na descida para a praia da Assenta um desvio mostrou-se
inútil acabando por se ter que levar as biclas à
mão escada abaixo (de onde saiu esta escada???),
mas como a malta estava por tudo, acho que nem deram por
ela. Nova breve paragem para um boneco com o mar como segundo
plano (que ficou desfocada) para comprovar que estávamos
ali (como se isso fosse importante) e estava na hora da
primeira das grandes subidas da volta, um dos passeantes
(o que tirou a foto desfocada) ainda nos disse “…
isso de bicicleta???…. nem a pé!” que
não serviu de muito pois era por ali que tínhamos
que ir.
A
coisa até se subia (eu subi quase tudo) se não
fossem as valas fundas provocadas pelas chuvas levando a
que a maioria optasse por levar a bicla à mão
monte acima. Chegados ao alto, e como esta parte não
estava lá muito bem documentada inventou-se um caminho
que até serviu bem mesmo que uns tenho feito uma
valente descida seguida de uma não menos valente
subida que afinal não era necessária pois
existia caminho à volta (boa Jorge.). Um furo a proporcionar
nova pausa não só para reparar o mesmo mas
sobretudo para dar à língua com fartura pois
esta malta já está a demorar quase duas bananas
para reparar um furo.
Reparada a coisa toca de regressar ao pedal e na direcção
de S. Lourenço onde se inventou uma passagem pois
o caminho previsto estava fechado. Atravessou-se a estrada
para entra num estradão paralelo e encher a barriga
com a grande descida (atenção à brita)
até junto da praia onde se chegou com aquela cara
que quem gostou da coisa, tanto que nem reclamaram (muito)
com a valente subida para sair da praia e subir a Ribamar.
Em Ribamar, e devia a o grupo se ter dispersado um bocadinho
devido à subida, o grupo da frente seguiu estrada
fora na direcção de Ribeira de Ilhas onde
tiveram que esperar pelo resto do grupo.
Os
que seguiram pelos trilhos junto à falésia
aproveitaram bem para encher a vista com um dos (para mim)
mais bonitos trilhos desta volta que terminam com a descida
à praia. Bem, cá no fundo já se viam
os “apressados” lá no alto do miradouro,
agora só faltava chegar lá. Com sugestões
de “…vamos pelas escadas…” e uns
olhares meios de esguelha lá se optou por fazer a
subida pela estrada, sendo esta a segunda grande subida
e aquela que eu mais temia (não pela subida, mas
por ser pela estrada principal). A coisa até que
se fez bem e agora sim estava o grupo recomposto e ainda
se aproveitou para fazer pirraça aos que optaram
pelo caminho directo. Aqui foi entrar na ciclovia e rolar
descontraidamente até à Ericeira para a paragem
prevista para repor energias. O “Almoço”
mostrou ser a parte mais complicada da volta, pois pedalar
é simples, agora encontra um local para 19 esfomeados
ciclistas (a cheira mal) não é tarefa fácil.
No final a primeira sugestão do nosso amigo Pedro
Mourão mostrou ser a melhor e no final de palmilharmos
o centro da Ericeira sem sucesso, seguimos para o tal restaurante
(é tinhas razão Mourão) que se mostrou
ser o mais conveniente não só para as barrigas
esfomeadas, mas também para parar as bicicletas.
Aquilo que seria uma “paragem rápida”
transformou-se rapidamente num valente almoço que
começou com uma reposição de líquidos
à caneca seguidos por umas pratadas de tudo a que
se pode deitar a mão. Muita conversa, muita história
(alguma cerveja), muita mastigação e uma hora
e meia depois lá nos convencemos que ainda faltava
a última etapa que ao longo do vale do Lizandro
nos
levaria de regresso ao ponto de partida. Regressou-se à
ciclovia para a curta descida até à ponte
e entras nos trilhos já nossos conhecidos ao longo
do Lizandro. De barriga meio cheia eu estava um bocadinho
receoso com a pedalação, mas a coisa foi avançando
e esse pensamento rapidamente libertou os meus neurónios
que teriam que ser redireccionados para o que ainda faltava
pedalar.
Com
bom ritmo foi-se vencendo a distância que com as sombras
das árvores e das canas mostrou-se a melhor escolha
para uma pedalação a estas horas da tarde.
Como estava tudo calmo e a correr bem de mais, nada com
uma avaria daquelas que não lembra a ninguém
onde o nosso amigo Nuno (“O Engenheiro”) parte
o suporte do selim.
Acho que o que lhe custou mais nem foi partir o selim, mas
ter que aturar as brejeirices que uma avaria como esta impõem.
Criou-se uma “Task Force” que com umas quantas
fitas plásticas e muita habilidade lá prenderam
o banco a sítio mas que faria o nosso amigo ter que
pedalar o resto do caminho quase de pé pois o selim
teve que ficar agarrado ao quadro.
Como
já tínhamos mais de 60kms nas pernas optou-se
por poupar o corpo e seguir o rio mas pela estrada retomando
os trilhos mais à frente junto da Aldeia de Broas.
Na ponte dos “Rotteilers” novo furo e dos que
deu luta pois foram necessárias várias câmaras-de-ar
para o resolver.
Com
quase meia hora de paragem e um reabastecimento de água
numa fonte ali perto retomou-se caminho e regressando aos
trilhos com a ultima travessia da ribeira que se fez sem
novidades. Agora tínhamos pela frente uma das, para
mim, mais duras partes do percurso sobretudo por ser ao
fim que quase 70kms de pedalação. O vale da
Cabrela
com os seus trilhos muito bonitos mas também muito
pedregosos mostraram-se no entanto quase fáceis,
foi estranho, mas a maioria passou por cima daquilo tudo
como se fosse plano, o corpo humano é realmente uma
máquina surpreendente. Talvez cegos pelo regresso,
nem a tradicional paragem na ponte de pedra se fez, seguindo-se
directo ao longo da ribeira ao encontro da subida final.
Sair do vale.