Minas de São Domingos - Pomarão
autocarro
era mesmo dos grandes. Abertas as portas do porão de carga tratou-se
de começar a encafuar as máquinas que sem a roda da frente
e com os cartões e espumas que se tinha ficaram muito bem acondicionadas.
Brilhante trabalho do nosso amigo João e seus ”muchachos”
na obra de entalar as biclas.
De lista na mão foi-se pondo o visto aos convivas e acertaram-se
a vagas dos que não puderam vir com os “Condicionados”
estando-se assim prontos para partir…. ou quase…. que isto há
sempre uma
alminha
que não consegue estar a horas levando assim o programa o seu primeiro
rombo (quem não consegue estar a horas chega mais cedo). Com quase
meia hora de atraso lá nos fizemos ao caminho estrada fora com grande
parte dos convivas a aproveitar para recuperar algum do sono interrompido
e outros para dar à língua em antecipação à
pedalação que se previa. Com uma breve paragem para o café
seguiu-se caminho aproveitando para ir deitando o olho aos trilhos que se
viam ao longo das estradas entremeado como com umas flashadas aqui e ali
para ir registando o momento e os dorminhocos de boca aberta.
Já
para lá de Beja, segunda falha, devíamos ter ido por Serpa
e não por Mértola. Custou-nos mais quase outra meia hora e
umas quantas curvas (é mais perto mas não compensa). Chegados
ao local nova dor de cabeça… de onde apareceu esta gente toda?
Será que há mais outros passeios? Mas não, era tudo
para o mesmo. Lá ficou o meu neurónio da navegação
às voltas a tentar descobrir como é que se leva esta gente
toda de uma ponta à outra da volta. Desatafulhadas as biclas, e depois
de uns “é pá cheguem-se lá aqui” lá
se juntou o cardume frente ao improvisado parlatório para as recomendações
da praxe.
Dilui-me
rapidamente na multidão, conversei com todos, tirei bonecos com fartura
(as 147 fotos provam isso), apreciei a paisagem a ainda ouvi uns “tá
andar” e outros “ninguém passa à frente dos guias”
no meu vaguear ao longo do extenso pelotão, sim perto de 60 pedaladores.
O meu bem-haja aos voluntariosos guias, que não estando no programa
e saídos não sei de onde, nos aliviaram o dia.
Estradão
largo, mas de piso algo pesado e felizmente sem grade pó foi-se avançando
pelo meio das construções abandonadas e das lagoas de grande
beleza pelo contraste com que fazem com a paisagem envolvente que seriam
ainda mais bonitas se não fosse o perigo que representam as suas
águas. Seguindo a antiga linha de comboio fomos avançando
na paisagem com as primeiras travessias ao lado das pontes que de tal abandono
foram ruindo. O sol mostrava-se já como a maior dificuldade e valendo-nos
do providencial protector solar e de umas quantas besuntadelas ao longo
do passeio a coisa ficou menos mal.
Com
uns momentos de rolar mais rápido seguidos de outros tantos de reagrupamento
passámos os pequenos povoados e uma quantidade de portões
e cercas que foram sendo deixados como os tínhamos encontrado. Chegados
a Picoitos, primeira baixa, um dos convivas não se aguentou e teve
que ser recolhido enquanto os mais
frescos
aproveitavam para manter a frescura com umas “mines”
que acabaram por queimar na valente subida que se seguiu antes da descida
até ao Pomarão (depois venham cá dizer que o Alentejo
é plano…). Depois de mais umas cercas e portões, agora
sim uma refrescante e longa descida até ao Guadiana e claro ao Pomarão.
Chegados dirigimo-nos à nova ponte para um chorrilho de bonecos,
uns em grupo, outros apenas ao molho, e claro muitos em terras de “nuestros
hermanos” com respectiva placa como pano de fundo para que duvidas
não haja (curiosamente não consegui o tradicional boneco do
grupo… mas mandaram-me uma com quase todos). 
mostrava-se
cada vez mais apetecível e ainda nos faltava quase duas dezenas de
quilómetros e a subir. Era também o caminho de regresso, ao
logo da via-férrea abandonada, com os seus túneis que tinha
motivado a maioria a fazer 287Kms num autocarro, por isso tratou-se de verificar
as luzes e começar a pedalação. O primeiro curiosamente
estava “habitado” por um grupo de passeantes
que fez ali o piquenique e que rapidamente cerraram fileiras em volta das
mesas não fosse a horda de pedaladores limpara alguns dos croquetes.
Foi-se assim subindo sempre em companhia das travessas de madeira, já
carvão, que nos provam que em tempos o comboio já ali passou.

já
há muito adormecido que disse “Cianeto! Cheira a cianeto (Nitrilas)!”
e se aquilo amarelo no chão era enxofre as probabilidades eram grandes
pois o enxofre só por si não cheira assim nem estávamos
a moer amêndoas. A irritação nos olhos, o arder da pele
suada somada à sensação de sufoco que alguns sentiram
deixou-nos no mínimo desconfortáveis. Talvez agora entendam
porque estava um gajo aos berros no fundo do túnel a empurrar a malta
para o pouco convidativo sol das duas da tarde.
Passado
o susto, pelo menos o meu susto, continuou-se com um infindável sobe
e desce ao lado das pontes em ruína seguindo a abandonada linha de
comboio. Com o sol a queimar a pele e a baralhar os neurónios de
alguns que se aventuram por caminhos que não eram os programados
e mais uns quantos furos e algumas quedas a retardarem o regresso.
Fomo-nos
assim aproximando do cada vez mais do desejado cozido de grão com
o grupo já bastante fraccionado. Depois de algum casario lá
se chegou às lagoas. Tirou-se mais uns bonecos parou-se em solidariedade
com os que mais acusavam as dificuldades desta mistura de calor com falta
de sombras e finalmente depois de mais uma pequena mas certamente para alguns
infindável subida o autocarro estava à vista bem como o tão
merecido e necessário duche.
Já muito perto das 16h00 atafulharam-se a biclas com um bocadinho
menos de habilidade que na vinda e depois dos banhos avançamos em
passo acelerado em busca do restaurante e do almoço que o nosso amigo
Jorge tratou e bem de organizar. Fomo-nos aconchegando nas mesas que nos
esperavam e lá foi chegando o repasto acompanhado de respectiva reposição
de líquidos, estava bom, mas também tenho que confessar que
nesta altura do campeonato marchava qualquer coisa desde que acompanhada
por uma cervejinha fresquinha.
Comeu-se e conversou-se sobre a aventura ou desventura desta incursão
no Alentejo interior e já só pelas 18h00 e bem para lá
do previsto se tocou a corneta do “tá na hora de regressar”
para nos acomodarmos no fresco do autocarro e iniciar o caminho de regresso
agora sim por Serpa.
Com as contas feitas e uma viagem com um olho aberto e outro fechado fomos
avançando de regresso ao Algueirão fazendo apenas uma paragem
para os xixis algures a meio. Valeu-nos novamente os préstimos do
amigo Jorge que tratou de nos avisar do trânsito para a 25 de Abril
mesmo a tempo de desviarmos para a Vasco da Gama tornando o regresso menos
penoso.A todos os que partilharam mais uma das nossas aventuras, um Muito
Obrigado.
... e aos que ajudaram a tornar isto tudo possível
um ainda Maior Muito Obrigado.